O artista, a magia e a luta cotidiana pela sobrevivência. Assim se desenvolve a trama do filme “Os Pobres Diabos”, de Rosemberg Cariry, que estreia nos cinemas de Fortaleza no dia 6 de julho. As salas do interior cearense também devem receber a produção ainda no mês de julho, estimulando o diálogo com as mais diversas plateias do Estado e ressaltando a importância de preservar a cultura nordestina de raiz. O longa-metragem venceu os troféus de Melhor Filme pelo Júri Popular e Prêmio TV Brasil no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Com um elenco de estrelas formado por Chico Diaz, Sílvia Buarque, Everaldo Pontes, Gero Camilo, Zezita Matos e Sâmia Bittencourt, entre outros nomes, o longa apresenta ao público o Gran Circo Teatro Americano, uma companhia mambembe e muito pobre, que perambula por pequenas cidades do sertão nordestino até armar a tenda em Aracati, no litoral do Ceará.
Cariry mostra-se sereno e atento aos mínimos detalhes, na condução do seu modo de fazer cinema, com um toque autoral. Embora se veja favorecido pela revolução tecnológica em curso na área, explora a sua faceta humana, natural e artesanal. Sabe que depende sempre ainda da expressão dramática de atores e atrizes, do rigor da fotografia, da generosidade da luz solar, da criatividade diligente e inspirada da direção de arte.
Sob o rigor de uma narrativa que se propõe simples, a exemplo das narrativas da literatura de cordel, o filme recria e funde artes e artimanhas, saberes e sentimentos, arquétipos e sonhos, tradições perdidas e relidas, tempo presente e pretérito, em busca de um sentido estético capaz de vencer o vazio individualista e globalizante, na era do desfazimento de tudo, em especial, da dissolvência cultural da chamada pós-modernidade.
“A discussão sobre o significado de cultura e especificidade cultural é um desafio para o qual devemos estar sempre atentos. Nesse sentido, como artistas de circo, os personagens têm em comum a característica de viajantes e nômades: com o passar do tempo, eles vão adquirindo características de tantos lugares por onde passaram e/ou viveram, que já não é possível identificar de onde eles vieram, ou que lugar ou cultura representam. Esta decisão está refletida na escolha que fizemos dos atores e atrizes de ‘Os Pobres Diabos’, vindos de várias regiões do país”, conta.
Elenco
A escolha do elenco foi parte fundamental do processo, já que o filme traz o encontro de atores profissionais do teatro e do cinema com artistas circenses. Chico Diaz, diz da sua satisfação em realizar esse filme: “Poder trabalhar em um ambiente autoral e regional é um privilégio, ainda mais nos dias que correm, onde a voz única de mercado e de superfície condenam qualquer voz dissonante. Poder trabalhar em um tema que versa sobre a condição do artista, ambientado em um pequeno circo onde glória, amor, poder e arte se misturam é uma sorte. Poder trabalhar em família é uma bênção. A minha, a do Rosemberg, a do circo. Devemos muito à família circense reunida”. “Realizamos um cinema que se coloca dentro da vida, um destino que se constrói junto ao acaso. No set, improvisamos muito e incorporamos cada dificuldade, cada chuva, cada dia de sol, cada talento ou idiossincrasias dos atores”, completa Rosemberg.
Para Silvia Buarque, o filme abriu-se com um bom desafio: “Trabalhei o personagem pelo afeto e até pela compaixão mesmo, no fundo, a Creuza é uma mulher carente e infeliz. Mas a Creuza tomou corpo mesmo quando começamos a rodar o filme e o Rosemberg foi me conduzindo, com a sabedoria dos mestres, que nos conduzem entendendo e ouvindo quem somos e o que pensamos. É claro que um mês no set, convivência diária, conversas, improvisações, tudo isso foi fundamental para essa comunhão. Foi uma das experiências mais ricas na minha vida profissional no cinema”.
SINOPSE
O “Gran Circo Teatro Americano” perambula por pequenas cidades dos sertões, até chegar à cidade de Aracati, onde monta uma peça teatral. No cotidiano do circo, acontecem aventuras, nas quais os personagens agem ao modo picaresco dos anti-heróis do romanceiro popular. As dificuldades se acumulam, mas a arte ajuda a superar desventuras e tragédias. O espetáculo não pode parar.
SOBRE O DIRETOR
O cineasta Rosemberg Cariry nasceu em Farias Brito – Ceará, no ano de 1953. Realizou doze filmes de longa-metragem como, Corisco e Dadá (1996), Patativa do Assaré, Ave Poesia (2007) e Siri-Ará (2008). Para a TV realizou dezenas de seriados, documentários e programas. É jornalista, escritor, poeta e pesquisador das culturas populares brasileiras, tendo publicado vários livros. Participou de várias entidades nacionais de cineastas e lutou pela diversidade do cinema brasileiro, sendo um dos responsáveis pelo processo de “regionalização” dos meios de produção audiovisual, que tem mudado o panorama do cinema brasileiro.
SOBRE A CARIRI FILMES
Criada em 1986, a Cariri Filmes é pioneira no Nordeste na produção de filmes de longa-metragem e programas para TV, documentais e educacionais. Bem mais do que uma empresa brasileira que produz filmes, vídeo e produtos culturais, a Cariri Filmes é uma interação entre artistas e técnicos do Nordeste e de outras regiões do Brasil que, unindo talentos, experiências e conhecimentos, produzem filmes e produtos audiovisuais de qualidade nacional e internacional, tendo conquistado prêmios em festivais nacionais e internacionais.
SOBRE A LUME FILMES
A Lume Filmes é uma distribuidora brasileira que atua há mais de dez anos nos segmentos de salas de cinema, home-vídeo, televisão e, mais recentemente, plataformas VOD. Com foco na distribuição de cinema autoral e independente, busca levar ao público as mais variadas culturas cinematográficas, dos mais diversos países, através de títulos como Lola (Filipinas, 2009, Brillante Mendoza), Azul Profundo (Grécia, 2010, Aris Bafaloukas), Mãe e Filha (Brasil, 2011, Petrus Cariry), Super Nada (Brasil 2012, Rubens Rewald), O que se move (Brasil, 2013, Caetano Gotardo), Apenas Entre Nós (Croácia/Sérvia/Eslovênia, 2015, Rajko Grlic ), Signo das Tetas (Brasil, 2016, Frederico Machado).

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